quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Solidão

Em alguns poucos dias as coisas podem mudar drasticamente e de porto seguro poderás passar a ser como uma gaivota perdida no ar, procurando onde repousar. Como é estranho a sensação de exposição e fraqueza a que somos submetidos quando em tão pouco tempo nos sentíamos grandes possuidores do conhecimento.

Quem sabe alguém bata a porta dizendo estar com saudade e que veio apenas para conversar um pouco. Quem sabe alguém toque a campanhia aos gritos de alegria. Quem sabe alguém ligue para pedir uma informação e pergunte como vai a vida apenas por etiqueta. Quem sabe apenas ligue por engano. Quem sabe deixe o telefone ligado. Quem sabe atenda –o. Quem sabe lhe entenda.

A sensação de pequenez a que somos obrigados a destrinxar numa explanação racional nenhum pouco comum é instigantemente sofrível e doloroso.

Quem disse que multidão acalanta alguma coisa dentro de nós? Um exterior lotado de pessoas e vozes e olhares e sorrisos e sons não é capaz de nos tocar nem por meio dos sentidos se não estivermos aptos e felizes com essa ideia.

O monstro da solidão é gigantesco e silencioso, machuca pela própria ausência. E Hoje sinto-me tão sozinho que não consigo encontrar nem as palavras para aliviar-me de tanto vazio.

Talvez tudo isso seja a vinda a tona de tudo o que é reprimido pela razão para que não nos machuquemos tanto. Talvez não. Talvez seja a verdade aflorando na realidade que nos recusamos a enxergar. Talvez. Talvez, quem sabe?

O monstro da solidão...

Estar sozinho não é necessariamente estar solitário, não obstante estar acompanhado não nos livra desse mal. Estar acompanhado de nós mesmos pode ser muito mais produtivo do que estar em meio a todos os outros.

Por que não toma uma providência? Não ligaria, pois não saberia o que dizer. Gostaria de apenas ouvir uma voz reconfortante que falasse sem parar. Apenas ouvi-la já seria incrível. Ei, livre-me desse livro. Livro de ideias tolas que escrevemos na mente durante tanto tempo. Pra quê? Ninguém irá ouvir com prazer o que tens a dizer. Cale-se. Sofra. Sozinho você veio até aqui, ou não? Que ingratidão!

É apenas sentimento. Não ressentimento. É apenas momento. Não passado. É presente. Logo passará. Ou não. Quem sabe? Estar sozinho não é estar solitário. Estar sozinho não é ser sozinho. É apenas estar precisando não estar mais. O ser é outra coisa, bem maior.

O monstro da solidão é gigantesco e silencioso, machuca pela própria ausência. E natureza nem se fala. E hoje sinto-me tão sozinho que não consigo encontrar nem as palavras...
Cada fim é um novo começo, a vida é assim, e é por isso que eu faço o que faço!


#AlanOliveira

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